• Instituto Dialogare

NOVAS FASES

O momento atual tem sido de grande aprendizado para nós. Estamos compreendendo a intensidade através da sutileza do tempo.

Chegamos a um novo período da quarentena, e aos poucos, os sentimentos e acontecimentos, que antes pareciam não encontrar tempo suficiente para se revelar, vão ganhando novas fases, mostrando que a intensidade também tem seu próprio tempo.

E é na perspectiva deste movimento cíclico que (re)olhamos constantemente nosso impacto social, entendendo que muitas vezes é preciso pausar, acolher e escutar o que o mundo tem a dizer.

Por isso, queremos conhecer melhor a sua singularidade, gostos, percepções, interesses... E nos próximos dias, nosso Grupo de Apoio Socioemocional no WhatsApp se dedicará a identificar o que é essencial para que continuemos JUNTOS na construção de um diálogo próximo e transformador.

Alguns apontamentos sobre enfrentamento e aspectos socioemocionais

O comportamento das pessoas perante as situações de desastres é o resultado de como cada comunidade percebe e administra as suas ameaças de desestabilização, ou das estratégias de adaptação psicológicas (MATTEDI, 2008). Por este fato, para o autor, a contribuição da Psicologia para a construção de comunidades mais seguras dá-se inicialmente na caracterização dos fatores que as ameaçam. (p. 281-282)

Segundo Góis (2005), a comunidade significa existência, pois é onde há confirmação da identidade pessoal e social, e onde acontecem as interações entre pessoas, municípios e sociedade. Por este motivo, para o autor, a comunidade é considerada cada vez mais importante no desenvolvimento da sociedade e do indivíduo. Câmara (2008) complementa que a mudança é conseguida através da união das pessoas, que é resultante do sentimento de pertença à comunidade. (p. 285)

Na etapa pré-evento é muito importante trabalhar com a comunidade conceitos sobre o que é risco e a partir disso construir intervenções (COÊLHO, 2006). Os riscos fazem parte do aspecto da percepção qualitativa do ambiente e influenciam as pessoas a se darem conta de suas existências e a serem conscientes de sua vulnerabilidade, o que determinará a noção de cuidado (KUHNEN, 2009, p. 289)

O psicólogo pode atuar nas três etapas de formação do desastre, ou seja, nas etapas pré, trans e pós-desastre. Na prevenção de desastres, a percepção de risco vai ser primordial para que o indivíduo e a sua comunidade compreendam a situação em que se encontram, e que a partir dessa constatação possam refletir na solução do problema. O psicólogo pode auxiliar no processo, assim como na formulação de propostas que visem à melhora da comunidade. Também é ressaltada a ideia de que quando o psicólogo atuar no pós-desastre, ele tenha uma visão ampliada da situação para lidar com sua complexidade, não se limitando apenas ao diagnóstico. Foi apontado que a Psicologia colaborou para que as intervenções realizadas em situações de emergências e desastres priorizassem a subjetividade das pessoas. (p. 290)



Para lidar com eventos estressantes, o sujeito desenvolve um processo de Enfrentamento - Coping, palavra do idioma inglês, deriva do verbo to cope, que significa “lidar com”, ”enfrentar”, “contender”, “lutar” (MICHAELIS, 1979). O conjunto de estratégias utilizadas pelas pessoas para se adaptarem a circunstâncias adversas e os esforços que são despendidos para lidar com o estresse propiciam desenvolver o enfrentamento. (ANTONIAZZI; DELL’AGLIO; BAND EIRA, 1998, p. 01)

Lazarus e Folkman (1984) definem enfrentamento como esforços cognitivos e comportamentais em constante mudança, para administrar - entendido como minimizar, tolerar, aceitar, tentar controlar as situações-necessidade internas e/ou externas específicas que o organismo avalia como sobrecarga ou que excedam a capacidade da pessoa (ANTONIAZZI et al, 1998). (P.01) Vasconcelos (1999, p. 02) diz ainda que as pessoas têm comportamento de enfrentamento em estágios:


  • Choque – mais ou menos forte dependendo do fator surpresa com que ocorre a crise;

  • Evento – período muito intenso em que o sujeito pode sentir desamparo, pânico, desorganização;

  • Retrocesso – fase que parece corresponder à negação. É importante à medida que for usada para prevenir um colapso ou pausa para reavaliar a situação;

  • Teste de realidade – o sujeito retoma o processo de enfrentamento.


O estresse tecnológico, ou seja, os efeitos negativos dos que trabalham com informação tecnológica, também têm sido estudado, onde se busca investigar os aspectos psicofisiológicos do trabalho com a moderna tecnologia de informação, sendo identificados vários transtornos psicossomáticos relacionados ao estresse, incluindo distúrbios do sono, estresse psicofisiológico e queixas somáticas (ARNETZ, 1997, p. 02)

Estratégias de enfrentamento


As estratégias de enfrentamento podem ser classificadas como centradas no problema ou centradas na emoção (FOLKMAN; LAZARUS, 1980).

Quando centradas no problema, o indivíduo se esforça para administrá-los ou então melhorar seu relacionamento com o meio. Quando centradas na emoção, as estratégias de enfrentamento tentam substituir ou regular o impacto emocional do estresse no indivíduo, originando-se principalmente de processos defensivos, fazendo com que as pessoas evitem confrontar conscientemente com a realidade de ameaça (NERI, 2005, p. 03)

O modelo das estratégias de enfrentamento de Folkman e Lazarus (1980) envolve quatro conceitos principais: a) enfrentamento é um processo ou uma interação que se dá entre o indivíduo e o ambiente; b) sua função é a administração da situação estressora, ao invés de controlar e dominá-la; c) esses processos pressupõem a noção de avaliação, ou seja, como o fenômeno é percebido, interpretado e cognitivamente representado na mente do sujeito; d) o processo de enfrentamento constitui-se de uma mobilização de esforços, pelo qual os sujeitos empreendem esforços cognitivos e comportamentais para administrar essa situação, ou seja, reduzindo, minimizando ou tolerando, as demandas internas ou externas que surgem da sua interação com o ambiente.

Estudos desenvolvidos por O’Brien; DeLongis (1996) apresentou uma outra estratégia de enfrentamento, focalizada nas relações interpessoais, em que o sujeito busca apoio nas pessoas do seu círculo social para resolver uma situação estressante. Estes estudos buscam melhor entender o papel da personalidade e dos fatores situacionais na escolha das estratégias de enfrentamento (ANTONIAZZI; DELL’AGLIO; BANDEIRA, 1998, p. 03)

No caso do isolamento a barreira à relação social fica ainda mais concreta, ocasionando danos ainda maiores que na internação comum (Madeo, 2003; Zastrow, 2011; Morgan, 2013). Além da ocorrência de ansiedade e depressão, também são observados outros sintomas, tais como raiva, sensação de confinamento, solidão e estigma, em especial a vivência de solidão e estigma estão intimamente associadas à estadia em instituições totais como o hospital, que tem o fechamento como característica. Esse fechamento é manifestado na barreira à relação social com o mundo externo e por proibições à saída, sendo seu ponto básico o controle de muitas necessidades humanas pela instituição (Goffman, 2001, p. 100)

Assim, é necessário considerar tanto aspectos positivos quanto negativos do isolamento de contato. Evidentemente houve um declínio nas taxas de infecções associadas aos cuidados de saúde, potencialmente como resultado do aumento de esforços de prevenção de infecções nos hospitais. Pesquisas ressaltam que há avaliações positivas do isolamento por parte do paciente, destacando o aumento da privacidade por estarem em um quarto individual, recebimento de assistência considerada boa, segurança, tranquilidade, limpeza rigorosa e por não se preocuparem em incomodar os demais, principalmente em relação ao contágio (Wilkins et al., 1988; Madeo, 2003; Newton et al., 2001; Russo et al., 2006; Wassenberg et al., 2010; Findik et al., 2012; Zastrow, 2011, p. 103)

Não há uma investigação sistemática sobre o isolamento, conforme destacam Kellerman et al. (1977). Sugerem, a partir da experiência dos próprios inquiridos, orientação detalhada para o paciente e família, incentivando ambos a participarem do processo de cuidados continuados, uso extensivo de trabalho e ludoterapia, programações diárias estruturadas, acesso a relógios, calendários e vista da janela para evitar a desorientação de tempo, além de suporte extensivo para membros da equipe. (p. 105)

Observa-se que as sugestões para minimizar as repercussões psicológicas podem ser categorizadas predominantemente em educativas (propiciamento de informações), organizacionais (implementação de ações de apoio à saúde mental de pacientes e funcionários, protocolos), estruturais (melhores instalações, adequação do ambiente), comunicativas (orientações) e avaliativas (triagens). (p. 106)

Referências


DUARTE, Tássia de Lima et alna. Repercussões psicológicas do isolamento de contato: uma revisão. Psicol. hosp. (São Paulo), São Paulo, v. 13, n. 2, p. 88-113, ago. 2015. Disponível em:<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-74092015000200006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 19 de mar. 2020.


FERNANDES, Gilberto; INOCENTE, Nancy Julieta. ESTRATÉGIAS PARA ENFRENTAMENTO (COPING): UM LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO. 14 Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 10 Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba. Disponível em: <http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2010/anais/arquivos/0570_0609_01.pdf>. Acesso em: 19 de mar. 2020.


TRINDADE, Melina Carvalho; SERPA, Monise Gomes. O papel dos psicólogos em situações de emergências e desastres. Estud. pesqui. psicol., Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 279-297, abr. 2013. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812013000100017&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 18 de mar. 2020.

Já conhece nosso grupo de apoio? Acesse: https://www.institutodialogare.com.br/post/grupo-de-apoio

36 visualizações
  • Facebook
  • Instagram

(12) 9 9657 9481

Rua Major Oliveira Borges, nº 200, sala 06. Lorena - SP

logo dialogare.png