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JUVENTUDES | Desafios que oportunizam transformações subjetivas e sociais

O Observatório Juventudes, projeto do Instituto Dialogare, realizou uma pesquisa intitulada “Adolescências (não) reveladas: uma aproximação para (re) conhecer os adolescentes do município de Lorena” (2020), essa pesquisa se propôs, de modo proximal, a compreender as realidades juvenis e analisar como adolescente/jovem se constitui como sujeito social para, dentre outras coisas, subsidiar a construção de políticas públicas para essa população, e contribuir para a atuação de instituições e atores sociais que trabalham com essa população. Dentre as várias perguntas do instrumento de pesquisa algumas se relacionam com esse tema “desafios X dificuldade”, compreender as juventudes sem estigmas, homogeneização e preconceitos, possibilita uma aproximação, o que por sua vez, legitimando e reconhecendo esse momento de vida, torna-se possível ajudar os jovens a se conhecerem enquanto sujeitos sociais, invertendo dificuldades limitantes em desafios que oportunizam transformações subjetivas e sociais.

Nesse sentido, separamos alguns dados que tratam desse assunto. Quando perguntado “Qual o maior desafio da cidade de Lorena?” os dados revelam que 71,06% dos adolescentes/jovens acreditam que o maior desafio da cidade é a “droga/tráfico”, 60,61% assinalam como segundo maior desafio a “falta de oportunidade” e, em terceiro lugar, aparece a “violência” assinalado por 53,21% dos participantes. (Instituto Dialogare - Observatório Juventudes, 2020).

Ademais, 45,98% dos adolescentes/jovens dizem que o “medo do futuro” é um dos seus principais desafios e 69,13% se sentem ansiosos “sempre” e “na maioria das vezes”. Pensando caminhos possíveis para auxiliar os adolescentes/jovens na superação dos seus desafios, a escola aparece como uma instituição muito importante, pois, 86,81% acredita que “sempre” ou “na maioria das vezes” a escola significa preparar para o futuro. Além disso, 57,39% dos participantes disseram que “sempre” ou “na maioria das vezes”confiam em seus professores o que indicam a relevância que esse ator social tem e como é fundamental a Educação para o desenvolvimento das potencialidades dos adolescentes/jovens.

No Relatório de Execução da Pesquisa “Adolescências (não) reveladas: uma aproximação para (re) conhecer os adolescentes do município de Lorena” (2019, p. 64) – publicado no site do Instituto Dialogare – concluiu-se, dentre outras coisas, que

(...) é preciso alertar que não são apenas leis, políticas, métodos ou teorias de maneira isoladas que solucionarão os desafios apontados neste relatório. No entanto, o mais importante é a disposição individual em não permitir a neutralização das consciências, para que aproximação necessária para (re) conhecer as Adolescências e Juventudes aconteça e se transmita valores, concepções de vida, códigos e linguagens que indiquem caminhos para harmonização da vida social.

E diante dos acontecimentos atuais, as recomendações gerais da Fiocruz indicam algumas estratégias de cuidado psíquico em situações de pandemia:


  • Reconhecer e acolher seus receios e medos, procurando pessoas de confiança para conversar;

  • Retomar estratégias e ferramentas de cuidado que tenha usado em momentos de crise ou sofrimento e ações que trouxeram sensação de maior estabilidade emocional;

  • Investir em exercícios e ações que auxiliem na redução do nível de estresse agudo (meditação, leitura, exercícios de respiração, entre outros mecanismos que auxiliem a situar o pensamento no momento presente, bem como estimular a retomada de experiências e habilidades usadas em tempos difíceis do passado para gerenciar emoções durante a epidemia);

  • Se você estiver trabalhando durante a epidemia, fique atento a suas necessidades básicas, garanta pausas sistemáticas durante o trabalho (se possível em um local calmo e relaxante) e entre os turnos. Evite o isolamento junto a sua rede socioafetiva, mantendo contato, mesmo que virtual;

  • Caso seja estigmatizado por medo de contágio, compreenda que não é pessoal, mas fruto do medo e do estresse causado pela pandemia, busque colegas de trabalho e supervisores que possam compartilhar das mesmas dificuldades, buscando soluções compartilhadas;

  • Investir e estimular ações compartilhadas de cuidado, evocando a sensação de pertença social (como as ações solidárias e de cuidado familiar e comunitário)

  • Reenquadrar os planos e estratégias de vida, de forma a seguir produzindo planos de forma adaptada às condições associadas a pandemia;

  • Manter ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas;

  • Evitar o uso do tabaco, álcool ou outras drogas para lidar com as emoções;

  • Buscar um profissional de saúde quando as estratégias utilizadas não estiverem sendo suficientes para sua estabilização emocional;

  • Buscar fontes confiáveis de informação como o site da Organização Mundial da Saúde;

  • Reduzir o tempo que passa assistindo ou ouvindo coberturas midiáticas;

  • Compartilhar as ações e estratégias de cuidado e solidariedade, a fim de aumentar a sensação de pertença e conforto social;

  • Estimular o espírito solidário e incentivar a participação da comunidade.

Fonte: Fiocruz, 2020.


Essa grande adversidade pela qual o mundo está passando é um marco social e histórico que está e irá continuar afetando profundamente a economia, a política, as relações humanas e afetivas e os modos de vida. Nesse contexto, será inevitável uma reorganização de todos os setores afetados, no âmbito local até global, e fica evidente o quanto que teremos que encontrar aprendizagem sobre os novos fatos sociais, a produção de novos comportamentos e novas realidades. Por isso os processos de autoconhecimento, autocuidado, solidariedade e consciência e cuido coletivo serão fundamentais para superar as dificuldade transformando-as em potencial para transformação.

Referências

CRUZ, FIO. Fundação Oswaldo Cruz. Saúde mental e atenção psicossocial na pandemia COVID-19. Recomendações Gerais. Ministério da Saúde. Disponível em: <https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/04/Sa%C3%BAde-Mental-e-Aten%C3%A7%C3%A3o-Psicossocial-na-Pandemia-Covid-19-recomenda%C3%A7%C3%B5es-gerais.pdf>. Acesso em: 20 mai 2020.

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