• Instituto Dialogare

O Observatório Juventude de Lorena/SP e as possibilidades de atuação frente ao universo juvenil.

Atualizado: Mar 18

Andrea Filipini Rodrigues Lauermann¹

Cleber Alvarenga da Silva Filho²


Resumo: Este texto discute a relevância do trabalho do Observatório Juventudes de Lorena/SP, apresentando suas ações e eixos de atuação do e a relevância acerca das produções cientificas e atuação frente às juventudes, atores sociais, movimentos, coletivos e instituições que realizam trabalhos com as juventudes. Em relação aos eixos de atuação, estes são apresentados separadamente, com seus objetivos e resultados, possibilitado a compreensão das ações que são realizadas em cada uma delas. Está presente também neste trabalho a forma de constituições do Observatório Juventudes, no qual é resultante dos esforços de três instituições: Instituto Dialogare, Faculdades Integradas Teresa D’Ávila – FATEA e a Prefeitura Municipal de Lorena. Desta forma compreende-se que o Observatório Juventudes se apresenta como possibilidade de conhecer de forma ampla e profundamente as juventudes, ouvindo-as e estando mais próximos delas, dando visibilidade aos seus anseios e responder às suas necessidades, através das políticas públicas e da garantia de direitos. Bem como, através de pesquisas, estudos, reflexões e ações críticas acerca da temática.


Palavras-Chave: observatório, juventudes, pesquisa, políticas públicas.



INTRODUÇÃO


Atualmente as juventudes representam uma condição social que congrega sujeitos com idade entre 15 e 29 anos 3 . Sendo tema de interesse público, devem ser tratadas sem estereótipos, a partir de suas necessidades, de seus direitos e da diversidade que as caracterizam.

Há um novo olhar para os jovens que vai além do estereótipo da violência, do uso abusivo de drogas e da rebeldia. No Brasil, muitos estudos e pesquisas vêm sendo realizadas sobre temas voltados ao universo da juventude como, por exemplo, o perfil socioeconômico das juventudes, a violência urbana, a formação de gangues, os desafios da educação, os problemas de saúde, o fenômeno religioso, a construção de políticas públicas de juventude, a condição juvenil na contemporaneidade, entre outros.

Krauskopf (2003), afirma que podemos identificar na literatura quatro enfoques sobre as concepções de Juventude: Juventude como etapa de preparação, transição entre a infância e a fase adulta; Juventude como etapa problemática; Juventude como atores estratégicos para o desenvolvimento; e Juventude cidadã, como sujeito de direitos.

Reconhecer que os jovens são sujeitos de direito, é reconhecer a singularidade desta etapa da vida, assim como reconhecer a contribuição e participação nas políticas públicas, para que exerçam plenamente sua condição de cidadão.

Novas concepções de cidadania foram confirmadas pelo Estatuto da Juventude, Lei 12.852/2013, como instrumento legal, que determina o direito dos jovens garantidos e promovidos pelo Estado Brasileiro.

Isto deve ser considerado como um imenso legado para nosso país, pois dispõe sobre os direitos dos jovens, sobre as diretrizes das políticas públicas de Juventude e sobre o Sistema Nacional de Juventude, com políticas especialmente dirigidas a sujeitos entre 15 e 29 anos, como obrigação do Estado, independente da vontade de governos.

Desta forma, a iniciativa de envolver a Juventude na compreensão política e social, surgem a partir de diferentes iniciativas: a partir do grupo, para o grupo e com o grupo, na busca da autonomia e a afirmação da cidadania.

Como afirma Abramo (2014), “é reconhecida a capacidade dos jovens… de atuar no espaço público com plena consciência de seus direitos, com base em um pensamento crítico, autônomo e emancipador, em um autêntico processo de “cidadanização””.

Neste contexto, o Observatório Juventudes de Lorena, foi concebido, a partir do trabalho ativo em Juventude do Instituto Dialogare.

O Instituto Dialogare é uma organização sem fins lucrativos que fundamenta o diálogo, buscando compreender a comunidade e os sujeitos através da aproximação, da escuta e do diálogo com as lideranças locais.

Neste trabalho, com este tema sempre latente, demandas de ação, de pesquisa e estudo foram percebidas, e, em contato com o Observatório Juventudes da PUC/RS, na figura do Dr. Mauricio Perondi, o Observatório Juventudes de Lorena aos poucos foi criando sua personalidade própria.

Em Janeiro de 2015, as parcerias foram estabelecidas: a PUC/RS com grande experiência em pesquisa; a FATEA, Faculdades Integradas Teresa D´Avila, faculdades salesiana, com experiência no trabalho com Juventudes e instituição de Ensino, para contemplar a área; e a Prefeitura de Lorena, que já vinha a pensar nas políticas públicas de Juventude para o município.

Localizado na cidade de Lorena, pertencente ao Vale do Paraíba, que compreende 39 municípios que abrangem áreas urbanas, rurais e litorâneas, ou seja, apresenta grande diversidade de demandas e Questões Sociais.

A região metropolitana do Vale do Paraíba tem uma população estimada em 2.406.735 habitantes, de acordo com o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A representatividade política da juventude soma 38,81% do total de eleitores do Vale, ou seja, 668.034 jovens estão aptos a votar na região.

A cidade de Lorena ocupa uma área de 414,16 km², possui 84.653 habitantes, sendo que 21.242 são jovens entre 15 e 29 anos, destes, 642 jovens são residentes da zona rural.

Considerando os dados relevantes do número de jovens e a diversidade territorial, o Observatório Juventudes de Lorena, pretende agir de forma a identificar, integrar e sintetizar ações comuns, que respeitam a diversidade de cada movimento, ou demanda de cada região, no intuito de levantar as pautas prioritárias de cada uma, e a partir da troca, discutir, propor e apoiar as ações em grupo.

Segundo Marzulo (2005), as ciências sociais consideram que a dimensão espacial, constitui a identidade social. A territorialidade, é referencial e atuante sobre a formação identitária, e não se apresenta a partir do paradigma da proximidade geográfica ou semelhança na configuração espacial e tipologia arquitetônica.

Assim, consideramos importante reunir diferentes municípios, pois apesar da proximidade geográfica, semelhanças arquitetônicas e históricas, a identidade da Juventude de cada região estará expressa na diversidade de suas Questões Sociais.

Segundo o caderno de Políticas Públicas do SEBRAE (2008), “As políticas públicas são a totalidade de ações, metas e planos que os governos (nacional, estadual ou municipal) traçam para alcançar o bem-estar da sociedade e o interesse público.”

Souza (2006) afirma que a formação da política pública dá-se no momento em que os governos democráticos traduzem seus propósitos e plataformas eleitorais em programas e ações que produzirão resultados ou mudanças no mundo real.


METODOLOGIA


O Observatório Juventudes de Lorena planeja suas ações em cima de eixos de trabalho: ensino, assessoria e formação; pesquisa e articulação.

No eixo de ensino, assessoria e formação, o objetivo é a organização de cursos de extensão, grupos de estudos, jornais com conteúdos que visam informar e discutir temas ligados as juventudes, bem como propor ideias metodológicas para o trabalho com as temáticas propostas.

Na área de Pesquisa, procuramos abordar a Juventude bem como investigar temas relacionados a elas, em suas ações e demandas para, através de dados concretos, discutir e propor Políticas Públicas, fornecer subsidio para a intervenção teórica e prática em Juventudes.

A área de articulação trata da aproximação com o mundo juvenil da região, integrar os atores dos segmentos sociais onde os jovens estão inseridos: coletivos, espaços e instituições ligadas a Jovens, no intuito de reconhecê-los como sujeitos de direito.

O trabalho deste Observatório é reunir, organizar e produzir dados a respeito de Juventudes, primeiramente da cidade de Lorena, e em maior escala, a respeito de Juventudes da região do Vale do Paraíba, São Paulo.

Através das ações de cada eixo descrito, o Observatório Juventudes busca aprofundar o conhecimento sobre as temáticas juvenis; caracteriza-se como um projeto de assessoramento, defesa e garantia de direitos das Juventudes, buscando articular, estimular e viabilizar estudos acerca da realidade do jovem brasileiro, preponderantemente do jovem de Lorena e região. em grupo.


RESULTADOS


Os resultados apresentados concentram as ações de 17 meses de esforço coletivo dos integrantes do Observatório Juventudes junto às comunidades e às Juventudes do Vale do Paraíba.

As ações, denominadas neste texto como resultados, concentram-se de acordo com os eixos de trabalho, as quais estão concretizadas e são referências em Juventudes para a região.

No eixo ensino, assessoria e formação, está disponibilizado o grupo de estudos para o diálogo interdisciplinar na formação de atores sociais que representam e trabalham junto aos jovens, a partir de um momento de discussão teórica-prática, com o estudo de produções em ciências humanas, a respeito da condição juvenil e das Juventudes do nosso país, em especial a região do Vale do Paraíba.

Este eixo também disponibiliza a assessoria teórico prática a instituições que trabalham com Juventudes, uma ação de referência da região.

O trabalho em grupo, denominado Grupo de Rede, alcança em larga escala todas as instituições do município que atendem direta ou indiretamente as Juventudes. Esta ação está concretizada em encontros mensais.

A ação direta com as Juventudes está no Grupo de Liderança, já concretizado semanalmente, é referência no Vale porque procura fomentar o protagonismo juvenil, através de vivências grupais e diálogos com temáticas de interesse do grupo, com relevância social.

O eixo relacionado à Pesquisa ocorre paralelamente a todas as ações do Observatório, buscando, compilando e divulgando dados a respeito de diferentes temas como a violência, educação, empregabilidade e sexualidade da Juventude na região e no Brasil. Além disso, o eixo Pesquisa trabalha na produção científica, publicações e apresentações em eventos da área, contribuindo para o acervo do tema.

No eixo articulação vem sendo realizado na busca de interagir, relacionar e participar de eventos, conselhos de direito e demais ações que relacionam as temáticas juvenis.

A maior conquista do Observatório é participar ativamente dos encontros, proporcionar encontros, estar na linha de frente, no corpo a corpo com a Juventude da região, tornando-se assim, uma referência em Juventude ativa, participativa e cidadã.


CONCLUSÃO


Neste texto procuramos apresentar o Observatório Juventudes, suas dinâmicas e eixos de atuações, bem como as ações que atualmente são realizadas e as possibilidades que essas ações podem proporcionar para ampliação e efetivação das políticas públicas de juventudes. O Observatório Juventudes com suas articulações e pesquisas, torna-se um espaço importante para a pesquisa, produção de conhecimento, assessoria e contribuição com a efetivação de Políticas Públicas de Juventude.

As ações e produções sobre as temáticas juvenis através de Observatório Juventudes já são realizadas em outras regiões do país, como o Observatório Juventudes da PUCRS, que nos é referência, no entanto na região do Vale do Paraíba e até mesmo no estado de São Paulo, neste formato, este Observatório é o primeiro a realizar este trabalho. Assim o Observatório Juventudes tem sua importância pela diversidade da juventude dessa região, bem como os desafios que elas enfrentam, e pela maior visibilidade que os jovens passaram a ter socialmente em todo país.

Destacamos também as parcerias que torna possível as ações do Observatório Juventudes. A FATEA enquanto Instituição de ensino superior, de grande relevância histórica na região, o Instituto Dialogare, uma instituição não governamental, referência pela metodologia e linguagem que estabelece com as juventudes no município de Lorena e região e o Prefeitura Municipal de Lorena, que através das Subsecretaria de Juventudes, busca efetivação e ampliação dos espaços e políticas públicas, de forma a garantir os direitos das juventudes.

Desta forma entende-se que é preciso conhecer ampla e profundamente as juventudes, ouvindo-as e estando mais próximos delas, para dar visibilidade aos seus anseios e responder às suas necessidades, através das políticas públicas e da garantia de direitos. Bem como, através de pesquisas, estudos, reflexões e ações críticas acerca da temática.



¹ Fonoaudióloga e Assistente Social, Mestre em Linguística. Membro pesquisadora do Observatório Juventudes.

² Bacharel e Licenciatura em Psicologia, Membro do Observatório Juventudes.

³ No Brasil, a lei que criou a Secretaria Nacional da Juventude, o Conselho Nacional de Juventude e o PROVEM (lei 11129-30/06/2005, determina o período entre 15 e 29 anos.


REFERÊNCIAS


ABRAMO, Helena (Org). Estação Juventude: conceitos fundamentais – ponto de partida para a reflexão sobre políticas públicas de juventude. Brasília:SNJ, 2014.


CALDAS, Ricardo (Org). Políticas Públicas: conceitos e práticas. Belo Horizonte: SEBRAE/MG, 2008.


IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População jovem no Brasil: a dimensão demográfica. População, população jovem, estatística. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/populacao_jovem_brasil/populaca ojovem.pdf>. (Série Estudos e Pesquisas). Acesso em: 15 de Janeiro de 2016.


KRAUSKOPF, Dina. La construción de politicas de juventud em centroamerica. In: LEÓN,Oscar (Ed). Politicas Publicas de juventud in America Latina: politicas nacionales. Viña del Mar, Chile: Cidpa, 2003.


MARZULO, Eber Pires. Espaço dos Pobres: Identidade social e territorialidade na modernidade tardia. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. UFRJ, 2005.


SECRETARIA NACIONAL DE JUVENTUDE. Conselho, programa, legislação. Disponível em: <www.juventude.gov.br>. Acesso em: 15 de Janeiro de 2016.


SOUZA, Celina. Políticas Públicas: uma revisão da literatura. In: Sociologias. Porto Alegre: Jul/Dez, Ano 8, nº6, 2006. P 20-45.



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