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Ninguém poderia supor que na segunda quinzena de março aconteceria uma crise sanitária pública em escala mundial, impactando nos demais setores de atuação profissional, pessoal, político e social. Ainda mais se pensar que em dias anteriores era possível se ver presencialmente e se abraçar, sendo compreendido como a forma mais saudável de se relacionar a possibilidade de expressar afetividade através do toque, produzindo altruísmo e empatia.

Talvez não tenhamos deixado de acreditar que essas ações ainda são efetivas e necessárias, mas se manter preso nessa possibilidade seria ignorar o que está acontecendo no mundo, impactando 4 bilhões de pessoas. E, ignorar não muda a realidade, não faz com que ela se apresente de outra forma. Durante a crise é preciso dar conta que ela existe, pois ela não vai passar se a negar.

O trabalho Socioeducativo atual está diretamente ligado a uma releitura dos fatores de risco presentes no cotidiano de crianças, adolescentes e famílias em situações de vulnerabilidades, além da necessidade de inclusão e integração social e digital em escalas imediatas e projetivas, que podem constituir inclusive uma possibilidade de interação humana, canais de denúncia de violências, meio de comunicação e estudo, não desvalorizando a importância da presença física, e sim, criando uma cultura de consciência cidadã em meio às orientações da Organização Mundial de Saúde - OMS a respeito do isolamento social devido ao novo vírus COVID-19.

Obviamente, sendo um cenário sem precedentes para essa geração, foi de extrema importância observar tais ajustes, adaptações e possibilidades evidenciadas nos primeiros meses de pandemia, para que fosse possível projetar e retomar formas de atuação coerentes às demandas, principalmente as vulneráveis, como se aplica à realidade em que Instituto Dialogare atua.

Existe uma complexidade que pede hoje em dia que o trabalho social saia do engessamento, de uma rigidez, e que o profissional também tenha formação complexa. Entretanto isso leva tempo, demanda proximidade, dedicação, isso demanda equipe, dinheiro, capacidade de atender as pessoas de uma forma diferente e inovadora. Inovar no sentido da instituição operar em estratégias nunca pensadas, compreendida anteriormente como inadequada, para que o foco seja a continuidade do atendimento as pessoas que precisam da proposta da sua instituição.

O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos traz como pressuposto “garantir aquisições progressivas aos seus usuários, de acordo com o seu ciclo de vida”, e ainda: “formas de intervenção social planejada que cria situações desafiadoras, estimula e orienta os usuários na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais e coletivas, na família e no território”, a fim de prevenir rupturas de vínculos e risco social.

Tais atividades têm como objetivo suscitar o desenvolvimento de habilidades e potencialidades dos usuários, auxiliando na evolução das condições emancipatórias para o enfrentamento da vulnerabilidade social e na prevenção do rompimento dos vínculos familiares e comunitários. Além de estimular a participação dos mesmos no controle social para que cada vez mais a sociedade civil tenha consciência de seus direitos humanos e sociais, e saibam pleitear por eles.

Por fim, a base do trabalho social é relacionamento, estar em contato, criar vínculos, promover encontros para que “quem esteja do lado de lá ou do lado de cá”, possam alcançar a condição de perceber o outro, de poder estabelecer uma relação verdadeira, baseada no afeto, no diálogo, na empatia, na verdade e na solidariedade.

Faz-se necessário reconhecer quais as problemáticas vividas pelos usuários na conjuntura social presente, quais as condições de seus contextos enquanto sujeito protagonista de sua história; seres pertencentes a grupos e relações-macro enquanto território e comunidade.

Há um paradigma de como manter as relações, vínculos e presença em meio ao distanciamento social, onde o papel de ator social intercala-se entre quem é o atendido e quem dispõe o atendimento, num cenário onde a presença física tornou-se fator de risco e não proteção à saúde integral do indivíduo.


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